Sobre Guitarristas Frustrados e Influências

guitarras-outras-marcasOlho para minha guitarra encostada no canto do quarto e sinto certo pesar. Tenho aquela “Behringer El Toro” vermelho-cereja há quatro anos, mas só faz seis meses desde que comecei a me dedicar verdadeiramente ao aprendizado musical. Parte-me o coração perceber que desperdicei três anos em que poderia ter aprendido a reproduzir os clássicos do rock que tanto me apaixonam. Mas como minha avó sempre me diz, antes tarde do que nunca. Obviamente, quando eu decidi realmente aprender a tocar a guitarra, eu comecei na incrível velocidade de uma lesma idosa. Foi difícil dominar os primeiros acordes e escalas, e entender como tudo aquilo se encaixava matematicamente para formar um som que é capaz de influenciar gerações.

Como todo guitarrista iniciante, aprendi a tocar os maravilhosos riffs de “Smoke On The Water” dos ingleses do Deep Purple e “Highway to Hell” dos australianos fenomenais do AC/DC. Quando ouvi as primeiras notas que saíram da forma correta pelo meu amplificador, parecia que um novo mundo se abria para mim. Porém, para minha frustração, as únicas músicas que eu parecia capaz de executar do começo ao fim eram as do Sex Pistols, Ramones e afins…

Eu nunca gostei muito de punk-rock. Minhas influências sempre me levaram para um lado muito mais heavy metal, progressive metal ou speed metal, mas quando dominei meus primeiros três acordes eu consegui entender o que levou tantas bandas a produzirem um som que eu achava “medíocre”. Eu havia largado a guitarra por ter-me faltado a força de vontade após não sentir que estava mais perto da música que meus ídolos produziam. Mas com a música punk você se sente capaz. Eu continuo achando esse estilo muito raso, mas o compreendo melhor. Eu não consigo reproduzir os acordes intrincados e belos do  Dream Theater, mas eu posso tocar perfeitamente “I Wanna Be Sedated”, e meus amigos vão achar incrível.

Não estou aqui para fazer alusões e metáforas, então no melhor estilo do pior estilo: faça o que quiser. Sou apenas um guitarrista frustrado que finalmente viu valor em algo que achava ridículo. Mas, se esse texto lhe serviu de algo, vá ouvir “Pet Sematary”, espete os seus cabelos e compre roupas de couro. O punk é sobre isso, não?

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