O dia em que quase fui em um puteiro

Eu sei que prometi ir, juro que tentei!

Arrumei-me toda, me muni de toda autoconfiança, maquiei meus olhos de curiosidade e minhas bochechas de anti rubor (vulgo quase 100 camadas de base e pó), coloquei meu salto mais confortável (sapatilhas da humildade), o vestido quase comportado (rosinha no joelho) e dispensei os óculos do julgamento.

Deixei a moto a 2 quadras escondida atrás de algumas árvores e caminhei a passos decididos à segura distância do outro lado da rua. Todos os olhares à porta se voltaram para mim, enquanto passava tentando não olhar.

Dois distintos senhores saiam sozinhos e entraram despretensiosamente num sedã prata. Uma moça comum sentada em uma cadeira de bar me olhou com certa indiferença. A música tocava baixinho. As portas estavam escancaradas, porém não tive coragem de explorar o interior.

Quando me dei conta, já havia passado. Parei abruptamente, dei meia pirueta de bailarina desajeitada e voltei a passos firmes de quem esqueceu algo importante.

Não hesitei na entrada, simplesmente segui em frente.

Montei na moto e acelerei com uma explosão de autocensura. Parece que minha maldita criação tradicional mineira paternalista enraizada em minhas entranhas venceu minha construída liberdade intelectual.

Sinto um misto de raiva, vergonha, uma enxurrada de sentimentos nada belos.

Hoje tenho certeza que ainda tenho muito que trabalhar. Graças a esse projeto me sinto motivada a me empenhar mais, melhor e continuamente. Estou pronta para tentar. Quantas vezes forem necessárias. Porém, paciência, por favor. Leva tempo para desconstruir uma vida de conceitos e sentimentos…. Não vou seguir em frente, da próxima vez, adentrarei e conquistarei minhas vontades e liberdades.

 

Obrigada pelo apoio.

 

PS: Estou aberta a dicas para controlar o pânico!

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